D. Pedro II
D. Pedro II foi o segundo e último imperador do Brasil. Seu governo durou quase meio século, de 1840 a 1889. Ele foi a pessoa que por mais tempo governou o nosso país.
Por Jair Messias Ferreira Junior
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D. Pedro II, ou Pedro II do Brasil, foi o último imperador brasileiro, governando o nosso país por quase meio século, entre 1840 e 1889. Nos seus primeiros anos de governo, quando ainda era um adolescente, Dom Pedro II conseguiu acabar com as revoltas que herdou do Período Regencial, apaziguou os ânimos entre os membros do Partido Conservador e Partido Liberal, e conseguiu legitimidade e apoio popular para governar.
Educado para ser imperador, Dom Pedro II foi um erudito, intelectual, poliglota, amante das ciências e patrono das artes. Viajou para diversos países, conheceu governantes, intelectuais e cientistas. Foi um dos pioneiros no uso de diversas tecnologias desenvolvidas no século XIX, como a fotografia, o telégrafo e o telefone.
Na última década de governo, D. Pedro II viu crescer o movimento abolicionista, o movimento republicano, assim como os grupos que passaram a se opor a seu governo, entre eles os cafeicultores paulistas, a Igreja Católica e o Exército. A abolição da escravidão foi aprovada pelo Senado e sancionada pela princesa Isabel em 13 de maio de 1888, um dos últimos atos do governo de Dom Pedro II.
Pouco mais de um ano depois, em 15 de novembro de 1889, Dom Pedro II foi deposto e a República proclamada. Expulso do Brasil junto de toda a família real, Dom Pedro II faleceu dois anos depois, na França, triste por ter deixado o Brasil.
Leia também: Deodoro da Fonseca — figura central do golpe que depôs D. Pedro II
Resumo sobre D. Pedro II
- Dom Pedro II foi o segundo e último monarca do Império do Brasil (1822-1889), aclamado imperador com apenas cinco anos de idade, após a abdicação de D. Pedro I.
- Durante sua infância, o Brasil foi governado por regentes.
- Foi por meio do Golpe da Maioridade que Dom Pedro II, com 14 anos, passou a governar.
- Quando assumiu o trono, o Brasil enfrentava a Guerra dos Farrapos, revoltas e grave crise política. Ele formou diversos ministérios, alternando no poder conservadores e liberais.
- Dom Pedro II foi casado com a imperatriz Teresa Cristina e com ela teve quatro filhos, entre eles a princesa Isabel, herdeira do trono e signatária da Lei Áurea.
- A condessa do Barral foi amante de Dom Pedro II e, para muitos, seu verdadeiro amor.
- Dom Pedro II liderou o Brasil na Guerra do Paraguai.
- Foi durante o Segundo Reinado que a escravidão foi abolida no Brasil.
- Dom Pedro II foi expulso do Brasil dois dias após a proclamação da República.
- Ele faleceu de pneumonia em 1891, em Paris.
- Em 1921, o banimento da família real brasileira foi revogado, e alguns descendentes de D. Pedro II retornaram ao Brasil. No mesmo ano, os restos mortais do imperador foram transladados para o Brasil.
- Atualmente parte dos descendentes de Dom Pedro II recebe o laudêmio de Petrópolis, imposto de 2,5% cobrado sobre o valor de compra de qualquer imóvel da cidade.
Videoaula sobre D. Pedro II
Biografia de D. Pedro II
→ Nascimento de Dom Pedro II
Dom Pedro II, também chamado Pedro II do Brasil, nasceu no Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em 2 de dezembro de 1825, pouco mais de três anos após seu pai liderar o processo de independência do Brasil. Dom Pedro II foi o sexto filho de Dom Pedro I, então imperador do Brasil, e de Maria Leopoldina da Áustria, a imperatriz Leopoldina.
Dom Pedro II foi o único filho homem do casal a chegar à vida adulta. Sua irmã mais velha, Maria da Glória, também foi monarca, sendo rainha de Portugal entre 1826 e 1828 e, depois, entre 1834 e 1853.
→ Nome completo de Dom Pedro II
Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.
→ Infância de D. Pedro II
Dom Pedro II perdeu a mãe, a imperatriz Leopoldina, dias após completar um ano de idade. Após a morte da mãe, a camareira-mor de Dom Pedro I, Mariana Verna, passou a cuidar de Dom Pedro II e de suas irmãs, tornando-se uma espécie de figura materna para as crianças.
Em 7 de abril de 1831, Dom Pedro I abdicou do trono brasileiro e partiu para Portugal, deixando Dom Pedro II como seu sucessor no Brasil, com apenas cinco anos de idade. Dom Pedro I partiu de madrugada, sem se despedir do filho, que dormia. Nunca mais pai e filho se encontraram novamente. Dois dias depois, Dom Pedro II foi aclamado imperador. Uma regência passou a governar o Brasil.
Mariana Verna foi nomeada aia de Dom Pedro II, sendo a responsável por cuidar do pequeno imperador. José Bonifácio de Andrade e Silva foi nomeado seu tutor, sendo o responsável pela educação formal do monarca. Dom Pedro II teve aula com os melhores professores de sua época, entre eles Félix Émile Taunay, professor de francês; e Luís Alves de Lima, o duque de Caxias, que lhe ensinou esgrima. Dom Pedro II teve aula de diversas outras disciplinas, entre elas matemática, piano, latim, astronomia, retórica, religião, grego, alemão e filosofia.
Em 1833, Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho, militar de carreira, foi nomeado o novo tutor do menino. A educação de Dom Pedro II passou a seguir uma rígida rotina, que se estendia das 7:30h até as 21:00h. Dom Pedro II passou quase toda a sua infância no Palácio de São Cristóvão, acompanhado de adultos e tendo pouco contato com suas irmãs ou com outras crianças.
→ Juventude de D. Pedro II

Dom Pedro II, na sua juventude, já era imperador do Brasil. Em 1840, por meio do Golpe da Maioridade, ele foi coroado imperador do Brasil, quando tinha 14 anos de idade. O golpe foi organizado por membros do Partido Liberal e contou com apoio popular.
Segundo relatos da época, Dom Pedro II respondeu apenas “sim”, quando perguntado por políticos liberais se era a favor da redução da maioridade, e “quero já”, quando questionado se ela deveria ocorrer naquele instante ou quando completasse 15 anos. Como monarca, Dom Pedro II deveria garantir um sucessor, e um emissário foi enviado à Europa para encontrar uma esposa para o jovem monarca brasileiro.
→ Casamento de D. Pedro II
Em 1842, foi enviado à Europa o embaixador brasileiro Bento da Silva Lisboa, com o objetivo de encontrar uma noiva de sangue real para Dom Pedro II. Após ser recusado em diversas cortes, as negociações de Bento da Silva com o embaixador das Duas Sicílias evoluíram e o casamento foi aprovado pelo imperador Francisco I.
A princesa Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias foi a escolhida para se casar com Dom Pedro II. A ela foi apresentada uma pintura do monarca brasileiro, e, para ele, foi enviado um retrato da princesa. Em maio de 1843, Teresa Cristina e Dom Pedro II se casaram por procuração em Nápoles, sem a presença de nenhum dos noivos. A certidão de casamento foi assinada por autoridades dos dois países.
Uma frota brasileira trouxe Teresa Cristina para o Brasil, com sua embarcação ancorando no Rio de Janeiro em 3 de setembro de 1843. O imperador subiu no navio para conhecer Teresa Cristina e acompanhá-la no desembarque. Existem relatos que afirmam que Dom Pedro II, ao ver a princesa, teria se decepcionado com sua aparência, afirmando que sua beleza havia sido exagerada nos relatos e no retrato que recebeu. Nas cartas enviadas a irmã, Teresa Cristina afirmou que se apaixonou por Pedro quando o viu pela primeira vez.
No dia seguinte ao desembarque, Dom Pedro II e Teresa Cristina se casaram novamente, dessa vez com a presença dos noivos, na Capela Real do Rio de Janeiro. Os dois foram casados por toda a vida e tiveram quatro filhos: Afonso (1845-1847), Isabel (1846-1921), Leopoldina (1847-1871) e Pedro (1848-1850).

Teresa Cristina sempre acompanhou Dom Pedro II nos principais eventos e viagens, pelo Brasil e pelo mundo. Ela também foi responsável pela educação dos filhos e pela governança das residências imperiais. Dom Pedro II teve algumas amantes, a principal delas foi Luísa Margarida de Barros, a condessa do Barral. Para muitos historiadores, ela foi, de fato, o grande amor da vida do monarca brasileiro.
Luísa Margarida nasceu em uma família de senhores de engenho na Bahia e passou a infância na fazenda da família. Na juventude foi enviada para estudar na França, onde se casou com um conde francês e passou a fazer parte da corte do rei Luís Felipe I. Em 1856, mudou-se para o Rio de Janeiro com o marido e o filho e foi contratada pelo imperador Dom Pedro II para ser a preceptora das duas princesas.
Em pouco tempo, Dom Pedro II e a condessa do Barral se tornaram amantes, condição que mantiveram por décadas. Em 1866, a condessa do Barral retornou para a França, mas ela e Dom Pedro II mantiveram a relação à distância, trocando apaixonadas cartas até a morte dos dois, em 1891.
→ Filhos de Dom Pedro II
- Afonso (1845-1847): primeiro filho de Dom Pedro II e Teresa Cristina, faleceu com dois anos de idade, após sucessivas convulsões que perduraram por mais de quatro horas.
- Isabel (1846-1921): a princesa Isabel é a mais famosa das filhas de Dom Pedro II, por ter assinado a Lei Áurea em 13 de maio de 1888, quando era regente do Brasil durante uma viagem do pai. Ela era a herdeira do trono brasileiro. Após a proclamação da República, foi exilada na França, onde permaneceu até a sua morte. Saiba mais sobre a vida da princesa Isabel clicando aqui.
- Leopoldina (1847-1871): Leopoldina de Bragança se casou com o príncipe alemão Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota e com ele teve quatro filhos, que chegaram à vida adulta. Em 1871, com apenas 24 anos, Leopoldina faleceu de febre tifoide, na Áustria.
- Pedro (1848-1850): Pedro Afonso foi o último filho de Dom Pedro II e de Teresa Cristina, vivendo pouco mais de um ano. Em janeiro de 1850, quando a família imperial passava o verão na Fazenda Imperial de Santa Cruz, uma febre atingiu o menino, que faleceu no dia 9.
Veja também: José do Patrocínio — importante nome da história do abolicionismo no Brasil
D. Pedro II como imperador do Brasil
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A Revolução Farroupilha
Quando Dom Pedro II, com apenas 14 anos, assumiu o trono, o Brasil enfrentava sua mais extensa guerra civil, a Revolução Farroupilha. Dom Pedro II buscou inicialmente negociar a paz com os rebeldes, conseguindo que alguns líderes deixassem o conflito. Em 1842 ele nomeou seu antigo professor de esgrima, Luís Alves de Lima e Silva, o futuro duque de Caxias, comandante-chefe do Exército do Império do Brasil.
Luís Alves passou a conquistar sucessivas vitórias, retomando cidades que estavam nas mãos dos farroupilhas. Ao mesmo tempo, autoridades do império passaram a negociar com os rebeldes o fim do conflito. Com o objetivo de evitar uma nova guerra no Sul do país, Dom Pedro II aceitou a maior parte das reivindicações dos farroupilhas, e, em 1º de março de 1845, foi assinado o Tratado de Poncho Verde, que encerrou a guerra. Todos os líderes farroupilhas foram perdoados por Pedro II.
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O conflito entre conservadores e liberais
Outro problema herdado por Dom Pedro II foi a acirrada disputa política entre membros do Partido Conservador e do Partido Liberal. Ao se tornar imperador, Dom Pedro II formou seu ministério com membros do Partido Liberal, que apoiou o Golpe da Maioridade. Esse grupo ficou conhecido como Ministério da Maioridade.
Dom Pedro II também convocou uma eleição para os membros da Câmara dos Deputados, com ela ocorrendo ainda em 1840 e sendo marcada por grande violência e corrupção perpetradas pelos liberais, ficando conhecida como Eleição do Cacete.
Os conservadores protestaram, alegando que a eleição foi fraudada, e Dom Pedro II dissolveu o Ministério da Maioridade. Ele formou um novo ministério com membros do Partido Conservador. Indignados, os liberais iniciaram a Revolução Liberal de 1842, encerrada com vitória do império. Durante os quase 50 anos nos quais foi monarca do Brasil, Dom Pedro II se equilibrou entre conservadores e liberais, formando diferentes ministérios e revezando os dois partidos no poder.

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A Guerra do Paraguai
Em 1864, tropas de Solano Lopes invadiram o território brasileiro, iniciando a Guerra do Paraguai, na qual a Tríplice Aliança, composta por Brasil, Argentina e Uruguai, lutou com as tropas paraguaias. Quando a guerra eclodiu, o Exército Brasileiro era pouco equipado e tinha o contingente menor do que o do Paraguai. Dom Pedro II passou a equipar o Exército, importando armas e equipamentos, e criou os Voluntários da Pátria, unidades militares que rapidamente reforçaram as tropas brasileiras.
A Guerra do Paraguai se encerrou, em 1870, com a vitória do Brasil. O Exército saiu fortalecido do conflito, tornando-se uma importante instituição na vida política no período final do império.
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Abolição da escravidão
Dom Pedro II também teve que lidar com a abolição da escravidão, instituição que existiu durante quase todo o seu reinado. De um lado, o imperador sofreu pressão dos senhores de escravos e, do outro, dos abolicionistas e da Inglaterra. Após o fim da Guerra do Paraguai, o movimento abolicionista ganhou força, e, sob pressão dele, Dom Pedro II libertou os “escravos da nação”, escravizados que prestavam serviços à família real e do império.
Durante o Segundo Reinado, diversas leis foram aprovadas com o objetivo de reduzir gradativamente a escravidão, entre elas a Lei Eusébio de Queiros, a Lei do Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários. No final do império, após aprovação do Senado, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que acabou de vez com a escravidão no Brasil.
O que D. Pedro II fez pelo Brasil?
Para muitos historiadores, a unificação do Brasil e a manutenção do seu território foram os maiores feitos de Dom Pedro II. Ele assumiu o poder com o Brasil dividido, com o descontentamento de diversas províncias e em plena Guerra dos Farrapos. Quando deixou o poder, 49 anos depois, o Brasil era um Estado soberano, com seu território preservado e sem movimentos separatistas.
Durante seu reinado, foram construídas diversas instituições de ensino no Brasil, além de teatros, bibliotecas, a Imperial Escola de Belas Artes e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Foi durante o governo de Dom Pedro II que as primeiras redes submarinas de telégrafo foram edificadas, ligando o Brasil ao mundo por cabos oceânicos. Ele ainda financiou a construção das primeiras linhas de telefone, das primeiras ferrovias, e de estaleiros e portos.
Por que D. Pedro II foi expulso do Brasil?
Dom Pedro II e toda a família imperial foram expulsos do Brasil após a proclamação da República, ocorrida em 15 de novembro de 1889. A partir da década de 1870, o movimento republicano passou a ganhar força no Brasil. Em 1870 foi fundado o Partido Republicano, no Rio de Janeiro; e, em 1873, foi fundado o Partido Republicano Paulista, em Itu. Parte da cúpula do Exército Brasileiro, inspirada pelas ideias positivistas, também defendia a República.
No final do seu reinado, Dom Pedro II perdeu apoio de diversos grupos, como do Exército, dos cafeicultores paulistas e da Igreja Católica. Com a abolição da escravidão, em 1888, ele também perdeu apoio dos senhores de escravos. Em 15 de novembro de 1889, sob a liderança dos militares, Dom Pedro II foi deposto e uma República foi proclamada.
Para muitos historiadores, a proclamação da República foi um golpe de Estado liderado pelos militares, que permaneceram no poder durante a República da Espada. No dia 16, o governo provisório aprovou um decreto para expulsão da família real do território brasileiro, que ocorreu no dia seguinte.
Em 21 de dezembro de 1889, foi aprovado um decreto de banimento da família real, proibindo que seus membros retornassem ao Brasil, que recebessem recursos do Estado brasileiro ou que possuíssem propriedades no país. Em 1893, todos os bens da família real foram leiloados pela República.
Morte de Dom Pedro II
A imperatriz Teresa Cristina faleceu em 28 de dezembro de 1889, pouco mais de um mês após o exílio forçado e quatro dias depois de receber a notícia do banimento da família real do Brasil. Segundo relato de Dom Pedro II, Teresa Cristina estava com a respiração cada vez mais fraca, e, na manhã da sua morte, se queixou de dores nas costas. Ela faleceu por volta das 14h, de insuficiência cardíaca.
O exílio, o banimento e a morte da esposa abalaram profundamente Dom Pedro II, deixando o velho imperador cada vez mais fraco. Ele se mudou para Paris após o falecimento da imperatriz, e, em novembro de 1891, passou a se queixar para os médicos de falta de ar. Os médicos diagnosticaram uma gripe, que logo evoluiu para uma pneumonia.

O estado de saúde de Pedro II se agravou rapidamente, e ele faleceu nas primeiras horas do dia 9 de dezembro de 1891. Ele estava acompanhado de toda a família e faleceu sem sentir dor. Dom Pedro II recebeu um funeral de chefe de Estado na França e seu cortejo foi acompanhado por milhares de pessoas. Sob sua cabeça, a pedido do próprio, foi colado um travesseiro forrado com terra de todas as províncias do Brasil.
O travesseiro foi encontrado em seu quarto, após sua morte, junto de um bilhete no qual escreveu: “é terra do meu país, desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora da minha pátria”.
Dom Pedro II e Teresa Cristina foram sepultados em Portugal. Em 1921, seus restos mortais foram trasladados para o Brasil e, em 1939, foram sepultados no Mausoléu Imperial, localizado na Catedral de São Pedro de Alcântara, na cidade de Petrópolis, onde permanecem até hoje.
Legado de D. Pedro II
Dom Pedro II governou o Brasil por quase meio século, deixando muitos legados para o nosso país. O primeiro deles foi a construção de diversas instituições importantes, como:
- o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro;
- o Imperial Colégio Pedro II;
- o Instituto dos Surdos-Mudos;
- a Escola Imperial de Belas Artes; e
- o Imperial Instituto dos Meninos Cegos.
Dom Pedro II foi o primeiro governante a investir na educação de pessoas com deficiência no Brasil. Também foi um entusiasta das tecnologias da Segunda Revolução Industrial e o principal incentivador da adoção dessas tecnologias no Brasil.
Em 1876, Dom Pedro II participou com Graham Bell da primeira apresentação pública do telefone, na Exposição Universal da Filadélfia. É lendária a frase que ele teria dito ao ouvir a voz de Bell no telefone, “essa coisa fala”. Dom Pedro II comprou dois aparelhos de telefone que foram instalados no seu palácio e no gabinete dos ministros, fazendo do Brasil o segundo país a instalar uma rede telefônica.
Em 1840, Luís Comte, membro de uma expedição científica que percorria o globo, fez a primeira fotografia do Brasil, com um daguerreótipo. A imagem foi publicada no dia seguinte no jornal O Comércio, que exaltou o feito de Comte que “durou apenas 9 minutos”. Dias depois, Luís Comte apresentou o daguerreótipo para Dom Pedro II, na época com apenas 15 anos, que solicitou que aparelhos do tipo fossem importados para o Brasil.
Durante a sua vida, Dom Pedro II tirou milhares de fotos, sendo um apaixonado pela fotografia. Ele criou um mecanismo pelo qual um fio passava por dentro de sua roupa, levando a um botão em sua mão que acionava a máquina fotográfica à distância, tirando as primeiras selfies do Brasil. Ele também adquiriu milhares de fotografias durante a vida. Sua coleção de fotografias, chamada de Coleção Teresa Cristina Maria, é outro grande legado para o Brasil.

A coleção é composta por mais de 23 mil fotografias, do Brasil e de diversos países do mundo, sendo uma das maiores coleções iconográficas do século XIX. A maior parte da coleção foi doada pelo imperador, quando no exílio, para a Biblioteca Nacional.
Dom Pedro II também construiu a maior coleção de artefatos egípcios do Brasil, composta de múmias, objetos de uso cotidiano, papiros, amuletos e sarcófagos, num total de mais de 700 itens. Esse acervo foi doado ao Museu Nacional e foi quase totalmente destruído no incêndio que atingiu o prédio em 2018.
Dom Pedro II também deixou um acervo com mais de 1000 cardápios, coletados em banquetes, festas, restaurantes, trens, navios e diversos outros lugares. A maior parte desse acervo também foi destruída no incêndio.
Outro legado de Dom Pedro II é o laudêmio de Petrópolis, também chamado de “taxa do príncipe”, taxa de 2,5% cobrada sobre qualquer imóvel vendido na região do Córrego Seco, a mais habitada de Petrópolis. Criado por Dom Pedro II no início do seu reinado, o laudêmio ainda hoje é destinado aos seus descendentes.
Importância de D. Pedro II
Dom Pedro II foi um dos principais responsáveis pela consolidação do Estado brasileiro e pela manutenção do seu grande território. Desde a independência do Brasil, diversos movimentos separatistas eclodiram em solo brasileiro. Quando Dom Pedro II passou a governar o Brasil, a maior guerra civil de nossa história ocorria, a Revolução Farroupilha. A figura de Dom Pedro II e sua diplomacia foram fundamentais para manter o Brasil unido.
Dom Pedro II também foi importante para a abolição da escravidão. Foi durante seu reinado que as leis abolicionistas foram aprovadas e foi sua filha, como regente, que assinou a Lei Áurea, aprovada anteriormente pelo Senado. Dom Pedro II não era abolicionista declarado, mas afirmou que a escravidão era uma injustiça e um atraso para o Brasil.
Homenagens a D. Pedro II
Ao longo de sua vida e postumamente, Dom Pedro II recebeu inúmeras homenagens, nomeando atualmente diversas escolas, parques, ruas, avenidas, praças e outros logradouros. Para ele também foram edificados diversos monumentos e estátuas.
Em 2024, a Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania aprovou a inscrição do nome de Dom Pedro II no Livro de Aço dos Heróis e Heroínas da Pátria. Atualmente o projeto de lei aguarda votação na plenária da Câmara dos Deputados.
Dom Pedro II também recebeu diversas condecorações no Brasil, entre elas a Ordem do Nosso Senhor Jesus Cristo, Ordem do Cruzeiro do Sul e Ordem da Rosa. Ele também recebeu condecorações de outros países, entre eles o México, Bélgica, Dinamarca, Países Baixos, Espanha, Reino Unido, Vaticano e Turquia.
Saiba mais: Como e por que a família real portuguesa veio para o Brasil?
Descendência de D. Pedro II
Dom Pedro II teve quatro filhos com a imperatriz Teresa Cristina, dos quais só duas meninas chegaram à vida adulta: Isabel e Leopoldina. O primeiro filho do casal foi Afonso (1845-1847), o menino faleceu com dois anos de idade, após sucessivas convulsões que ocorreram por mais de quatro horas; Pedro Afonso (1848-1850), o último filho do casal, viveu pouco mais de um ano.
A princesa Isabel nasceu em 1846 e viveu até 1921, foi a mais famosa das filhas de Dom Pedro II. Ela se casou com o conde d’Eu, com quem teve ao todo quatro filhos:
- Luísa Vitória;
- Pedro de Alcântara;
- Luís Maria Filipe do Brasil; e
- Antônio Gastão do Brasil.
Sua irmã, a princesa Leopoldina de Bragança (1847-1871), se casou com o príncipe alemão Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, e com ele teve quatro filhos, que chegaram à vida adulta:
- Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança;
- Augusto Leopoldo de Saxe-Coburgo e Bragança;
- José Fernando de Saxe-Coburgo e Bragança;
- Luís Gastão de Saxe-Coburgo e Bragança.
Em 1896, ainda no início do exílio da família real, o filho mais velho da princesa Isabel, Pedro de Alcântara de Orleans e Bragança, se apaixonou pela baronesa Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz, e os dois iniciaram um namoro. Ela pertencia a uma família de governantes ou ex-governantes e, portanto, não era considerada de sangue real. Em 1908, Pedro se casou com Elisabeth, mas antes renunciou ao direito ao trono em nome do irmão, Luís de Orleans de Bragança.

O fato dividiu a família real em dois ramos, chamados de Vassouras e de Petrópolis. Essa divisão perdura até os dias atuais. Os membros do ramo de Petrópolis descendem do filho mais velho da princesa Isabel, Pedro de Alcântara de Orleans e Bragança. Já os membros do ramo de Vassouras descendem de Luís de Orleans e Bragança, o segundo filho da princesa.
No início da década de 1990, no período de organização do plebiscito sobre qual sistema de governo o Brasil adotaria (o plebiscito ocorreu em 1993), a disputa entre os dois ramos ganhou força quando o filho mais velho de Pedro de Alcântara, Pedro Gastão, tentou reaver o direito ao trono brasileiro para o ramo de Petrópolis, o que foi recusado pelos membros do ramo de Vassouras.
Na atualidade, o ramo de Vassouras, para a maior parte dos monarquistas brasileiros, ainda tem o direito à sucessão, sendo o atual pretendente ao trono brasileiro Bertrand de Orleans e Bragança. Ele é um dos líderes do movimento monarquista brasileiro, que tem por principal objetivo a restauração da monarquia no Brasil.

Já o ramo de Petrópolis é responsável pela administração do laudêmio de Petrópolis, também chamado de “taxa do príncipe”, o que faz por meio da Companhia Imobiliária de Petrópolis. Atualmente existem muitos descendentes de Dom Pedro II, muitos deles ainda ostentam os títulos de nobreza, como príncipes e princesas, embora estes tenham sido abolidos após a proclamação da República.
Créditos das imagens
Fontes
CARVALHO, José Murilo de. Dom Pedro II. Editora Companhia das Letras, São Paulo, 2007.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. De olho em Dom Pedro II e seu reino tropical. Editora Claro Enigma, 2009.
SODRE, NelsonWerneck. Panorama do Segundo Império. Editora Graphia, São Paulo, 2018.