Idade Moderna

A Idade Moderna é um dos períodos da História. Teve início em 1453, com a Queda de Constantinopla, e se encerrou em 1789, com a Queda da Bastilha.

Por Daniel Neves Silva

Representação da Queda de Constantinopla, o evento que deu início à Idade Moderna.

A Idade Moderna foi um dos períodos da História, segundo a periodização clássica estabelecida pelos historiadores. De acordo com essa divisão tradicional, a Idade Moderna iniciou-se em 1453, com a Queda de Constantinopla, e se encerrou em 1789, com a Queda da Bastilha, marco que inaugurou a Revolução Francesa.

A Idade Moderna foi uma época de intensas transformações sociais, políticas e econômicas, marcando a transição do feudalismo para o capitalismo, bem como o auge do absolutismo e também das ideias de contestação a esse regime. Além disso, foi um período que contribuiu para a valorização de uma cultura secular.

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Resumo sobre a Idade Moderna

  • A Idade Moderna é um dos períodos da História, segundo a periodização clássica.
  • Esse período se estendeu, cronologicamente, de 1453 a 1789.
  • Os marcos que delimitam o início e término da Idade Moderna são: Queda de Constantinopla e Queda da Bastilha, respectivamente.
  • Foi o período de transição do feudalismo para o capitalismo.
  • A Idade Moderna é também o período de auge do absolutismo, mas foi nesse período também que nasceram as ideais que resultaram na queda desse regime.

O que foi a Idade Moderna?

A Idade Moderna é um dos períodos da História, de acordo com a periodização clássica que é utilizada no ensino dessa disciplina. Cronologicamente falando, a Idade Moderna se estendeu de 1453 a 1789, possuindo como marcos inaugurais e de encerramento a Queda de Constantinopla para os otomanos e a Queda da Bastilha, que iniciou a Revolução Francesa, respectivamente.

Esse período também é marcado pela transição do feudalismo para o capitalismo, assim como pelo auge da forma de governo absolutista e pelo desenvolvimento do colonialismo europeu. Foi um período de diversas transformações sociais, políticas, econômicas, científicas, entre outras.

Contexto histórico da Idade Moderna

A Idade Moderna é um período que se iniciou com o término da Idade Média, sendo a fase histórica na qual uma série de transformações se passaram na Europa, possibilitando que a sociedade feudal fosse gradativamente substituída por uma outra ordem, caracterizada por uma menor influência da Igreja Católica e pelo fim do feudalismo, enquanto sistema político, econômico, social e ideológico.

A Europa, além disso, se tornara muito mais urbana e, economicamente, estava baseada fortemente no comércio, além de, ideológica e cientificamente, ter se tornado um local mais secular, isto é, que dava maior importância à razão. Foi, portanto, um momento de grandes transformações, embora muitas características da Idade Média tenham permanecido no longo prazo.

Politicamente, a Idade Moderna foi um momento de fortalecimento do poder real, o que deu origem ao absolutismo, um sistema político predominante na Europa durante a Idade Moderna. A abertura comercial e o maior desenvolvimento de uma cultura secular possibilitaram também uma expansão comercial e territorial das nações europeias, permitindo que elas chegassem a diferentes locais na América, África e Ásia.

No aspecto religioso, a Igreja Católica perdeu influência, perdendo espaço para uma visão de mundo mais racional a partir do Renascimento e do Humanismo, além de ter perdido influência em certas partes da Europa por conta das reformas religiosas. Todas essas transformações no longo prazo contribuíram para a consolidação de uma cultura mais secular e pelo enfraquecimento do próprio absolutismo.

Leia também: Burguesia — a classe social que surgiu com a crise do feudalismo

Características da Idade Moderna

A Idade Moderna foi um período em que, política e economicamente, mudanças significativas começaram a acontecer. No campo da política, o estabelecimento dos Estados Nacionais, que se iniciou na Baixa Idade Média, contribuiu para mudanças significativas na forma como o poder era exercido.

Aquele poder descentralizado da Idade Média, que fazia o rei depender da fidelidade de seus nobres por meio de um acordo de vassalagem e suserania, perdeu espaço, e o poder centralizado do rei estabeleceu-se no lugar. As monarquias absolutistas foram a forma de governo encontrada para que os Estados pudessem lidar com a complexidade da burocracia moderna.

A burocracia governamental, a manutenção de um exército, etc., tudo passou para as mãos de um rei poderoso que detinha o poder absoluto em seu Estado. Nesse período também se estabeleceu uma ideologia que procurava justificar, inclusive religiosamente, o poder do rei. Foi nesse contexto que autores como Maquiavel ficaram muito conhecidos.

Já na economia, a prática econômica desse período ficou conhecida como mercantilismo, momento de transição do modo de produção feudal para o modo de produção capitalista. Foram práticas econômicas do mercantilismo a defesa de uma balança comercial favorável, a acumulação de metais preciosos, o incentivo à manufatura etc.

O mercantilismo possibilitou a acumulação do capital que foi utilizado na industrialização na Inglaterra, pioneira da Revolução Industrial. O desenvolvimento da indústria na segunda metade do século XVIII possibilitou o estabelecimento do capitalismo no mundo.

Retrato de Luís XIV, rei francês que se tornou um dos principais símbolos do absolutismo.

Acontecimentos marcantes da Idade Moderna

A Idade Moderna estendeu-se por mais de 300 anos . Obviamente, um período extenso como esse viu eventos marcantes e o surgimento de ideologias importantes para a humanidade. Vejamos alguns desses eventos:

  • Chegada dos europeus à América
  • Reforma Protestante
  • Contrarreforma
  • Guerra dos Trinta Anos
  • Revolução Inglesa
  • Iluminismo
  • Reinado de Luís XIV
  • Revolução Industrial
  • Renascimento
  • Revolução Americana

Qual a importância da Idade Moderna?

A Idade Moderna é um período de grande importância, uma vez que parte das bases contemporâneas se estabeleceu nesse período. Esse período ficou marcado pelas grandes transformações sociais, econômicas e políticas que contribuíram para consolidar parte do que é atualmente a cultura ocidental e contemporânea.

Entre as transformações que se estabeleceram a partir desse período e que fazem parte de nossa realidade atualmente estão:

  • surgimento do Estado-nação;
  • formação do capitalismo;
  • consolidação de uma economia mercantil global;
  • valorização da razão e do conhecimento científico;
  • surgimento dos ideais iluministas e valorização de ideais como liberdade e igualdade;

Leia também: Como ocorreu a transição do feudalismo para o capitalismo?

Fim da Idade Moderna

O encerramento desse período, do ponto de vista cronológico, aconteceu em 1789, quando aconteceu a Queda da Bastilha, evento que inaugurou a Revolução Francesa. Esse evento é considerado um marco que deu início a diversas transformações no mundo, a começar pela queda do absolutismo.

Conceito de Idade Moderna

Já sabemos que a Idade Moderna é um período da História que se estendeu de 1453 a 1789, segundo a periodização tradicional. Os marcos utilizados para o início e o fim desse período são a conquista de Constantinopla pelos otomanos, em 1453, e a tomada da Bastilha, evento que inaugurou a Revolução Francesa, em 1789.

Os marcos são apenas pontos aproximativos que indicam viragens importantes na sociedade europeia. Esse, inclusive, é um ponto importante quando estudamos a periodização: ela leva em consideração apenas acontecimentos que impactaram diretamente a Europa, portanto é bastante eurocêntrica e focada em um ponto de vista ocidental.

Como já vimos, a ideia de uma “idade moderna” foi resultado do pensamento renascentista, que procurava diferenciar-se do pensamento medieval. Um dos registros mais antigos que determinam o início cronológico desse período moderno foi encontrado em uma enciclopédia escrita por um alemão do século XVII chamado Christopher Keller.

Em 1688, Christopher Keller publicou seu livro História Universal e nele definiu a Idade Média como um período que se estendeu do reinado de Constantino até a tomada de Constantinopla pelos otomanos em 1453.|1| Isso dava a ideia, portanto, de que um novo período se iniciara após o ano citado.

Essa separação cronológica pensada entre Idade Média e Idade Moderna não significa que os dois períodos são absolutamente distintos um do outro, uma vez que existem historiadores que apontam semelhanças entre eles. Jacques Le Goff, por exemplo, fala de uma “longa Idade Média” e defende a ideia de que traços significativos do período medieval permaneceram até o século XIX.|2|

Por essa razão, os historiadores apontam que a História não é marcada somente por rupturas, mas também por permanências. Assim, quando falamos de periodização, devemos sempre ter atenção para não tratá-la de modo absoluto e engessado. Assim, o ano de 1453 marcou o início da Idade Moderna, mas a Europa não mudou de imediato, uma vez que as mudanças em curso eram lentas.

Por que a História é dividida em períodos?

A divisão da História em períodos é algo muito tradicional para nós no século XXI, e todos que estudam o desenvolvimento humano esbarram nas periodizações.

A periodização da História passou a ser enxergada como uma necessidade quando ela se estruturou enquanto campo de estudo e matéria de ensino. O historiador Jacques Le Goff aponta que o recorte da História em períodos é usado para indicar um estado de evolução das sociedades e “expressa a ideia de passagem, de ponto de viragem”.|3|

Sendo assim, por meio da periodização, o estudo da História é facilitado, uma vez que conseguimos identificar com mais facilidade as mudanças que aconteceram de um período para outro, assim como um momento marcante que precipitou transformações (positivas ou negativas) na sociedade.

A periodização atual vem de um modelo clássico que se estabeleceu ao longo do tempo e que se consolidou quando a História transformou-se em matéria de ensino, na virada do século XVIII para o XIX, na Europa. Uma concepção já bastante difundida na Europa do século XIX e que vinha sendo abordada por alguns autores desde o período renascentista era a de que a História do mundo poderia ser dividida em Antiga, Medieval e Moderna.

A concepção da Idade Moderna já existia por volta do século XVI e foi parte de uma ideia de alguns intelectuais da época que desejavam diferenciar sua época do período que existiu entre ela e a Antiguidade, isto é, a Idade Média. Tratava-se de uma noção ainda não muito comum, mas que, como podemos perceber, permaneceu no longo prazo.

A periodização utilizada para estudar História no Brasil é formada por Pré-História, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna, Idade Contemporânea.

Leia também: Idade Contemporânea — o período da História iniciado com a Revolução Francesa

Exercícios sobre Idade Moderna

Questão 01

Qual foi a ideologia surgida na Idade Moderna que contribuiu diretamente para a queda do absolutismo a partir da Revolução Francesa?

a) Anarquismo.

b) Comunismo.

c) Libertarianismo.

d) Iluminismo.

e) Socialismo.

Resposta: letra D. O Iluminismo e a sua defesa da razão, da liberdade, da igualdade, da limitação do poder real, entre outras ideias, deram a base ideológica para a queda do absolutismo na Europa.

Questão 02

Qual dos acontecimentos abaixo não se passou durante a Idade Média, cronologicamente falando?

a) Revolução Americana.

b) Chegada dos europeus na América.

c) Reforma Protestante.

d) Revolução Gloriosa.

e) Todas as alternativas acima.

Resposta: letra E. Todas as alternativas mencionadas na questão trouxeram acontecimentos do período conhecido como Idade Moderna.

Notas

|1| LE GOFF, Jacques. Uma longa Idade Média. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011. p. 15.

|1| LE GOFF, Jacques. A História deve ser dividida em pedaços? São Paulo: Unesp, 2015. p. 12.

|3| Idem, p. 27.

Créditos da imagem:

[1] Lestertair / Shutterstock

Fontes

LE GOFF, Jacques. A História deve ser dividida em pedaços? São Paulo: Editora Unesp, 2015.

LE GOFF, Jacques. Uma longa Idade Média. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

MICELI, Paulo. História Moderna. São Paulo: Contexto, 2020.

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