O conflito entre Israel e Palestina é uma série de guerras e embates protagonizados por Israel e pela Palestina e motivados por disputa territorial, nacionalismo, questões religiosas e deslocamento de refugiados palestinos. Sua história remonta ao século XIX, quando o movimento sionista ganhou força e culminou na guerra de 1948, conhecida como a Nakba, que resultou na criação de Israel e no deslocamento maciço de palestinos.
Atualmente, o conflito persiste devido a questões como assentamentos, bloqueio em Gaza e tensões em Jerusalém, gerando sofrimento humano, instabilidade regional, impacto global, radicalização e dificultando a busca por uma paz duradoura na região.
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Resumo sobre o conflito entre Israel e Palestina
- O conflito entre Israel e Palestina é uma série de guerras e embates que tem origem na disputa territorial, nacionalismo, questões religiosas e o deslocamento de refugiados palestinos.
- A história do conflito remonta ao século XIX, com o sionismo e a Declaração de Balfour, culminando na guerra de 1948.
- A criação do Estado de Israel em 1948 resultou em uma guerra e deslocamento de palestinos, conhecido como a Nakba.
- A Guerra dos Seis Dias, que ocorreu em 1967, é um dos principais acontecimentos do conflito entre Israel e Palestina. Nela, o território de Israel foi expandido, incluindo a Cisjordânia e Jerusalém Oriental.
- O conflito persiste atualmente devido a questões como assentamentos, bloqueio em Gaza e tensões em Jerusalém.
- O conflito gera sofrimento humano, instabilidade na região, impacto global, radicalização e impede a busca pela paz duradoura.
Videoaula sobre os conflitos entre Israel e Palestina
Qual o motivo do conflito entre Israel e Palestina?
O conflito entre Israel e Palestina tem suas raízes em várias questões complexas, como a disputa que gira em torno de território, soberania e identidade étnica e religiosa dos dois lados. Dentre os principais pontos, destacam-se:
- Disputa territorial: Uma das principais razões do conflito é a disputa pelo território historicamente conhecido como Palestina, que inclui a Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Ambos os lados reivindicam direitos históricos e legais sobre essa terra, que é sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos.
- Nacionalismo: Tanto israelenses quanto palestinos têm fortes sentimentos de nacionalismo e identidade étnica. Os israelenses veem seu Estado como um refúgio seguro para os judeus, enquanto os palestinos buscam um Estado independente e soberano para seu povo.
- Questão religiosa: A região é de importância crucial para as três principais religiões monoteístas do mundo: o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. Jerusalém, em particular, é uma cidade sagrada para todas essas religiões, o que amplia a dimensão religiosa do conflito.
- Deslocamento de refugiados palestinos: A criação de Israel em 1948 resultou no deslocamento de centenas de milhares de palestinos de suas terras ancestrais. Esse evento, conhecido como a Nakba (catástrofe, em árabe), continua sendo um ponto de amargura para os palestinos e é uma questão central no conflito.
História do conflito entre Israel e Palestina
Para entender plenamente o conflito entre Israel e Palestina, é importante analisar sua longa e complexa história. As raízes dessa disputa remontam ao final do século XIX, quando a região estava sob domínio do Império Otomano. Durante esse período, o sionismo, um movimento que promovia o retorno dos judeus à sua terra ancestral, começou a ganhar força.
A Primeira Guerra Mundial (1914-1917) e o colapso do Império Otomano levaram à partilha do Oriente Médio entre as potências coloniais europeias, com a Grã-Bretanha assumindo o controle da Palestina. O governo britânico emitiu a Declaração de Balfour em 1917, que prometia apoiar o estabelecimento de um “lar nacional judeu” na Palestina. Isso escalou as tensões entre árabes e judeus na região.
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Organização das Nações Unidas aprovou o Plano de Partilha de 1947, que previa a criação de dois Estados, um judeu e um árabe, na Palestina. No entanto, os países árabes se opuseram a esse plano, e uma guerra eclodiu em 1948. A guerra resultou na criação de Israel e no deslocamento de centenas de milhares de palestinos.
Criação do Estado de Israel
A criação do Estado de Israel em 1948 é um marco fundamental no conflito entre Israel e Palestina. No dia 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion, líder da Agência Judaica, proclamou a independência do Estado de Israel, que foi imediatamente reconhecido pelos Estados Unidos e a União Soviética. No entanto, a criação de Israel também resultou em uma guerra com os países árabes vizinhos, que rejeitaram a partilha e a criação do Estado judeu.
A guerra de 1948, conhecida como a Guerra da Independência de Israel, resultou em um cessar-fogo em 1949. Israel manteve o controle de um território maior do que o previsto no Plano de Partilha da ONU. A Cisjordânia e a Faixa de Gaza foram ocupadas pela Jordânia e pelo Egito, respectivamente.
Essa fase inicial do conflito deixou um legado de ressentimento e hostilidade entre israelenses e palestinos. O deslocamento de centenas de milhares de palestinos de suas casas e a negação do direito de retorno tornaram-se questões centrais no conflito.
Guerra dos Seis Dias
A Guerra dos Seis Dias, que ocorreu em junho de 1967, foi um evento crucial no conflito entre Israel e Palestina. O conflito começou quando Israel lançou um ataque preventivo contra os países árabes vizinhos, que estavam se preparando para uma possível guerra. Em apenas seis dias, Israel conquistou territórios significativos, incluindo a Cisjordânia, a Faixa de Gaza, Jerusalém Oriental, as Colinas de Golã e a Península do Sinai. A conquista desses territórios tornou Israel uma potência regional e aumentou a complexidade do conflito.
A ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza resultou em um grande número de palestinos sob controle israelense, o que gerou uma série de desafios em relação aos direitos humanos e à autodeterminação. Jerusalém Oriental também se tornou um ponto crítico, uma vez que Israel a anexou, declarando-a como parte indivisível de seu território. Essa anexação não foi reconhecida internacionalmente e é uma das principais fontes de tensão entre israelenses e palestinos até os dias atuais. Para saber mais detalhes sobre a Guerra dos Seis Dias, clique aqui.
Conflito entre Israel e Palestina na atualidade
O conflito entre Israel e Palestina continua a ser uma questão central no Oriente Médio e na política internacional. Nos últimos anos, várias questões têm contribuído para a perpetuação da tensão na região, dentre as quais se destacam:
- Assentamentos israelenses: A construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia tem sido uma questão contenciosa. Esses assentamentos são vistos como ilegais pela comunidade árabe e são um obstáculo significativo para a paz, uma vez que comprometem a viabilidade de um futuro Estado palestino.
- Bloqueio de Gaza: A Faixa de Gaza é uma das áreas mais densamente povoadas do mundo e está sob bloqueio israelense desde 2007, quando o grupo terrorista Hamas assumiu o controle da região. O bloqueio tem tido sérias consequências humanitárias para os habitantes de Gaza, incluindo restrições de acesso a alimentos, água e cuidados de saúde.
- Tensões em Jerusalém: Jerusalém continua sendo um ponto de tensão crítico, com disputas frequentes sobre o acesso a locais sagrados e evoluções nas políticas israelenses em Jerusalém Oriental.
- Insucesso nas negociações de paz: As tentativas de alcançar uma solução de dois Estados, com Israel e Palestina coexistindo lado a lado, têm sido malsucedidas. A falta de progresso nas negociações de paz contribui para a perpetuação do conflito.
- Radicalização e extremismo: A ausência de uma solução para o conflito alimenta o radicalismo e o extremismo de ambos os lados, tornando a busca pela paz ainda mais difícil.
Consequências do conflito entre Israel e Palestina
O conflito entre Israel e Palestina tem gerado uma série de consequências, não apenas para os envolvidos diretamente, mas também para a região e o mundo. Algumas das principais implicações incluem:
- Crise humanitária: Ao longo das décadas, o conflito resultou em um enorme sofrimento humano, com milhares de mortes e ferimentos, bem como o deslocamento de comunidades inteiras.
- Instabilidade na região: O conflito contribui para a instabilidade no Oriente Médio, afetando negativamente a segurança e o desenvolvimento econômico em toda a região.
- Impacto internacional: O conflito entre Israel e Palestina tem implicações globais, influenciando as relações internacionais e a política externa de muitos países.
- Radicalização e extremismo: O conflito alimenta o radicalismo e o extremismo na região, contribuindo para a disseminação do terrorismo.
- Obstáculo para a paz: A falta de resolução do conflito dificulta a busca de uma paz duradoura no Oriente Médio.
Créditos de imagem
[1] Rokas Tenys / Shutterstock
[2] BlueHypercane761 / Zero0000 / Wikimedia Commons (reprodução)
Fontes
GOODMAN, Martin. A História do Judaísmo. São Paulo: Crítica, 2020.
GELVIN, James. Israel X Palestina: 100 anos de conflito. São Paulo: Edipro, 2017.
VENTURA, Gilberto. O Resgate. São Paulo: Sefer, 2016.